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Publicado em 13/Julho/2018

Delírios de um cinemaníaco, o filme

Hoje faleceu José de Oliveira, Zé Pintor, aos 88 anos de idade em São Carlos/SP, cidade onde nasceu, no mês de fevereiro de 1930, e vivia ate então.

Conheça a vida e obra de Jose de Oliveira através do filme Delírios de um cinemaníaco

VIDA E OBRA DE JOSÉ DE OLIVEIRA

José de Oliveira, o Zé Pintor, é um dos pioneiros na atividade cinematográfica na cidade de São Carlos. Nascido em 1930, Zé Pintor possui um envolvimento com o cinema que data da sua época de menino, quando já realizava o “Cineminha” - que consistia em uma espécie de teatro de sombras realizado com bonecos de papel contra a luz de velas – com sessões na sala de sua casa, ao preço máximo de um quilo de alimento como ingresso, reunindo diversas crianças do bairro em torno do seu trabalho.
Na adolescência, José de Oliveira se envolveu com as salas de exibição da cidade de São Carlos. No início como voluntário, e posteriormente como profissional contratado, trabalhou nos principais cinemas de rua da época – o Cine São José, o Cine Avenida e o Cine São Carlos – além de salas em outras cidades do interior, como no Cine Teatro Polytheama (1947) em Jundiaí, e em Santo André, no Cine Tangará (1948/1949) .
José de Oliveira é um artista plástico autodidata (daí seu popular apelido), que aprendeu a técnica da pintura praticando e estudando aulas de revistas, e observando alguns pintores durante a sua juventude. Em 1946, Zé Pintor conheceu Liugi De Carli, pintor italiano que residiu em São Carlos por 1 ano, e que contribuiu no aperfeiçomento de algumas técnicas de retrato e paisagem.
Logo, Zé assumiu essa habilidade como profissão, pintando fachadas de comércios, quadros encomendados, réplicas de fotografias e, principalmente os cartazes de cinema dos filmes a serem exibidos, o que intensificou sua paixão e sua veia criativa através da produção de imagens.
Nos anos 50, Zé continuou trabalhando nos cinemas da cidade, aprofundando o seu interesse pela fotografia. Assim, ele adquiriu (comprando e trocando) algumas câmeras fotográficas da época, tirando fotos, revelando e ampliando-as no laboratório de sua casa.
Em 1958, o artista comprou uma câmera filmadora portátil Keystone A12 16mm, e começou a realizar suas primeiras filmagens durante os finais de semana, quando todos podiam se reunir para atuar nas cenas. Vale ressaltar que em São Carlos não haviam laboratórios que trabalhassem com a bitola 16mm. Seus primeiros filmes eram revelados pela Fotóptica de São Paulo, localizada na rua Conselheiro Crispiniano, e montados em sua casa.
Com o passar dos anos, Zé aprendeu a revelar películas P/B, transformá-las de negativo em positivo e a fazer cópias – tudo em seu laboratório, a partir de técnicas empíricas de tentativa e erro, e em pesquisas sobre fotografia e cinema, sobre os processos químicos e físicos de revelação de películas.
Para a realização das filmagens, José de Oliveira trabalhava em todas as etapas da produção e da criação cinematográfica. Além dos roteiros, ele selecionava e dirigia os atores, montava cenários, criava o maquinário e maquetes, definia os enquadramentos, montava a luz, fotometrava e focava suas imagens, realizava trucagens (fusões, fades, intertítulos) com técnicas alternativas simplificadas e muito criativas. Quando não conseguia fazer todas essas funções, contava com a ajuda das pessoas ao seu redor – geralmente os atores dos filmes.
Zé considerava a presença dos atores de seus filmes e as articulações que esses faziam para contribuir na produção - conseguir locações, figurinos, convidar atores de terceira idade, crianças, etc - como um elemento divino em sua obra, um gracejo, uma vontade de Deus que permitia aos envolvidos vivenciarem o momento da criação de um filme, eternizando-se no imaginário e no coração das pessoas que participaram daquela experiência.
Após o processo de revelação e replicação de películas, Zé organizou poucas sessões públicas, frequentadas pelas pessoas envolvidas no filme e suas famílias. No entanto, esses filmes, idealizados com diálogos e trilha sonora, não foram sonorizados. Os motivos foram econômicos e tecnológicos, uma vez que ele não teve acesso a um gravador Nagra, nem a um estúdio de som para dublar os filmes, e o processo de sonorização em São Paulo era muito caro para as suas condições.
Tal impasse desestimulou Zé Pintor, que engavetou suas obras e aos poucos se distanciou da produção e da exibição de cinema. A maior parte do material produzido por ele foi vendido, outros sumiram (se perderam pela falta de cuidado na armazenagem, ou por furtos em sua casa) restando apenas poucas películas em seu laboratório, onde ele armazena os negativos originais de seus três principais filmes em 16mm.
Nos anos 80 e 90, com a crise dos cinemas de rua, Zé Pintor se afastou do cinema e concentrou seu trabalho na pintura. No começo dos anos 2000 é organizada uma mostra em sua homenagem, realizada pelo SESC São Carlos e pela videolocadora Video 21, sobre sua trajetória como cineasta. Essa mostra permitiu que o realizador de vídeos Eduardo Sá fizesse o telecine amador dos seus principais média-metragens (intervindo nos filmes com cortes de algumas cenas e efeitos digitais nas imagens) e dirigisse um documentário sobre a trajetória do Zé para ser apresentado na Mostra, intitulada Zé Pintor: um olhar sobre São Carlos.
No ano de 2007, foi organizada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) através do Festival Contato a Mostra Sanca – uma pesquisa dos principais filmes já realizados na cidade de São Carlos, e José de Oliveira foi o homenageado. A organização dessa mostra possibilitou que um grupo de realizadores conhecessem Zé Pintor e começassem a construir uma relação de trabalho com ele. Em 2008, o mesmo grupo de realizadores fez o trabalho de sonorização do filme Testemunha oculta, em um processo de reconstrução do roteiro realizado pelo próprio diretor em conjunto com a equipe de sonorização do filme.
Em 2009, o mesmo grupo em conjunto com José de Oliveira começou a criar o filme Delírios de um cinemaníaco, dando continuidade à sua obra e expondo ao mundo a sua trajetória de vida.

Filmografia de José de Oliveira como diretor

Uma voz na consciência (1961) – média-metragem
Príncipe branco (1964) – curta-metragem (Inacabado)
Paranóia (1964) – curta-metragem (Inacabado)
Adversidade (1965) – curta-metragem (Inacabado)
Testemunha oculta (1968) – média-metragem
Sublime fascinação (1974) – média-metragem

 

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